WWW.SHOPCAR.COM.BR

Yamaha Tricity: um modelo para todos

08/04/2014 - 14:58 - Carlos Bazela/ Agência INFOMOTO - FOTOS: Divulgação

O futuro é agora. Ou pelo menos é nisso que acredita a Yamaha, que confirmou a chegada do exótico Tricity ao mercado Europeu no próximo verão, que começa em meados de julho no Velho Mundo. Apresentado como conceito na última edição do Salão de Milão, na Itália, o scooter se caracteriza pelas três rodas, duas dianteiras. Focado em melhorar a mobilidade urbana, o Tricity chegará às concessionárias com preço baixo. De acordo com a Yamaha, ele deverá ser vendido por um valor inferior a 4.000 euros, o que corresponde a cerca de R$ 12.750. 

A modernidade já começa na estética. As linhas futuristas e atraentes são marcadas pelo grande farol em forma de “U” na dianteira e os piscas integrados na parte superior do corpo, próximos ao guidão, o que facilita a visualização pelos motoristas. O espaço de armazenagem abaixo do assento – onde cabe um capacete fechado –, característico do segmento também não foi esquecido. Da mesma foram que em outros scooters de baixa cilindrada, o Tricity apresenta um vão atrás do escudo frontal, que permite a pilotagem com os pés juntos.

Por que três rodas?

Como acontece com a maioria dos scooters, o foco do Tricity é melhorar a maneira como as pessoas se deslocam nas grandes cidades. Entretanto, o intuito da Yamaha com o novo modelo é ir além desta ideia e estimular as pessoas a buscarem a mobilidade individual. Assim, a Casa de Iwata está mirando não apenas convencer motoristas a deixar o carro em casa e fisgar usuários do transporte público, mas também nas eventuais garupas. Isso mesmo. A Yamaha quer que você, que vai para o trabalho na garupa, assuma o guidão. 

Para isso, a marca investiu na configuração de duas rodas dianteiras. De acordo com a mesma, o projeto é um ponto crucial para encorajar quem não tem o costume de pilotar a guiar o scooter. O conceito não é exatamente novo. Afinal, desde 2008, a Piaggio comercializa o MP3, um scooter com três rodas, duas na dianteira. Disponível em versões que vão de 125 a 400cc, o MP3 italiano tem feito sucesso em toda a Europa, justamente por levar pessoas que têm “medo” de se equilibrar em duas rodas a pilotar. 

Desenvolvido especialmente para o Tricity, o sistema Leaning Multi Wheel (LMW) é composto por dois conjuntos de suspensão independentes, mas que trabalham juntos para que as rodas se inclinem paralelamente durante as curvas, garantindo a agilidade necessária para desviar do trânsito – semelhante ao sistema usado pela Piaggio. A absorção de impactos é feita por quatro tubos de função separada, dois para cada roda. Enquanto os dianteiros lidam com o amortecimento, os montados atrás funcionam como guias para a suspensão e ajudam na inclinação. 

Transpor obstáculos com maior facilidade também era uma preocupação, por isso o Tricity tem rodas dianteiras de 14’’ calçadas com pneus de medidas 90/80. Já na suspensão traseira, a montadora japonesa optou por um sistema bichoque, que liga a rabeta à balança. Esta, por sua vez segura uma roda de 12’’ envolta por um pneu com medida de 110/90. Além das duas rodas dianteiras, outro detalhe que levou em conta a inexperiência dos futuros proprietários foi o painel. Totalmente digital, o display de LCD mostra informações de maneira fácil, com o velocímetro centralizado ladeado pelo marcador de combustível e relógio à esquerda e pelo termômetro à direita.

Freios combinados

O coração do Tricity é um monocilíndrico de 124,8 cm³ arrefecido a líquido e comando único no cabeçote (SOHC), capaz de gerar 11 cv de potência máxima a 9.000 rpm, enquanto o torque máximo de 1,06 está disponível nos 5.500 giros. O pequeno propulsor é quase “quadrado” com diâmetro x curso de 52,4 mm x 57,9 mm. Nos freios, dois discos de 220 mm de diâmetro colocados internamente, deixando as rodas dianteiras expostas. Na traseira, o disco único é um pouco maior, com 230 mm de diâmetro.

Aqui, temos outra novidade na Yamaha: o sistema de frenagem unificada (UBS), que distribui a força entre as rodas dependendo do manete acionado pelo piloto. Quando o condutor aperta o manete esquerdo, o efeito recai sobre a roda traseira, mas também sobre as rodas dianteiras, balanceando a frenagem. Apertando apenas o manete da mão direita, por sua vez, somente os freios dianteiros são acionados. Já pressionando ambos ao mesmo tempo, a carga de frenagem é distribuída entre as três rodas, fazendo com que o Tricity pare de forma suave.

As dimensões também favorecem a vocação citadina do novo modelo da Yamaha. Montado sobre um quadro tubular, o scooter tem 1,90 m de comprimento, 735 mm de largura e 1,2 m de altura. Acessível, o assento tem altura de 780 mm. Já o peso é levemente elevado para um sccoter de 125cc. Com o tanque de capacidade para 6,6 litros, o Tricity pesa 152 kg em ordem de marcha. 

Marketing estranho

Outro ponto que merece destaque no lançamento do Tricity é a campanha de marketing que a Yamaha colocou no ar para apresentá-lo. Depois de criar um hotsite com direito a contagem regressiva e tudo, a Casa de Iwata revelou um vídeo no melhor estilo tokusatsu, gênero de filmes japoneses com temática de ficção científica ou herói uniformizado (que se popularizou no Brasil com Kamen Rider, Jaspion e afins) Na história, acompanhamos a equipe da RevStation, um laboratório experimental responsável por criar modelos únicos e conceituais.

As máquinas desenvolvidas no local têm a missão de despertar o “Rev'' a “força vital dos seres humanos, que irá nos salvar da extinção''. O personagem principal é Nick, um jovem engenheiro, que não se adapta a seu emprego por querer desenvolver modelos com paixão – uma provocação nada sutil à Honda. No vídeo, o Tricity aparece como sendo a primeira criação de Nick para a RevStation, reforçando a ideia de que o modelo representa a maneira como a Yamaha vê o futuro. 

Há outros personagens na história, que parecem ter saído de algumas das séries de Star Trek. Como, por exemplo, o Chefe Dr. Troy, o designer de produtos Skape, a androide Trika e o enigmático piloto de testes RT, com visual semelhante aos DJs da dupla Daft Punk. O vídeo, que ao que tudo indica terá continuação, é falado em inglês, sem legendas, e pode ser visto no site da RevStation (http://global.yamaha-motor.com/showroom/revstation/story/). 

Com clima de superprodução, o vídeo pode agradar em cheio aos otakus, como são conhecidos os japoneses fanáticos por filmes e desenhos, principalmente com tramas de ficção científica e futuristas. Mas, se essa será uma boa estratégia para apresentar outros modelos vindouros ou mesmo para vender o Tricity, ainda é cedo para dizer. 

https://www.shopcar.com.br/noticias/yamaha-tricity-um-modelo-para-todos/08-04-2014/10127