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Confira dicas importantes sobre a embreagem da sua moto

07/03/2014 - 15:54 - Roberto Brandão Filho/ Agência INFOMOTO
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As motocicletas fabricadas antigamente não contavam com um item muito comum que encontramos em quase todos os modelos hoje em dia. A embreagem. Para colocá-las em funcionamento, os pilotos tinham que “pedalar” as motos e mantê-las em movimento. As primeiras embreagens eram nada mais que um sistema rudimentar de correias até a roda traseira que fornecia a tração. O primeiro sistema de embreagem, próximo ao que conhecemos hoje, apareceu em 1913 numa Douglas 500cc. 

O componente evolui ao longo dos anos e atualmente, há dois tipos: a centrífuga, utilizada na maioria das vezes em sistemas automáticos, como da Honda Biz e da maioria das CUBs; e a hidráulica, a mais comum nas motos. 

Mas antes de falarmos da embreagem propriamente dita, é preciso abordar alguns conceitos físicos que ajudam a explicar os princípios de seu funcionamento, como o atrito, por exemplo. Toda vez que um corpo desliza, ou tenta deslizar, surge uma força chamada atrito, utilizada, por exemplo, no sistema de frenagem. No funcionamento da embreagem, o atrito é usado para transmitir o movimento de rotação do motor à transmissão da motocicleta. Em função desse atrito, a embreagem é dimensionada para que a força seja transmitida integralmente. Para simplificar, a embreagem tem a função de acoplar e desacoplar o motor à transmissão, ou seja, transmite o movimento do propulsor para a transmissão e então para a roda, permitindo que a motocicleta se movimente. Atualmente, a maioria das motocicletas utiliza o sistema “molhado”, ou seja, a embreagem trabalha “banhada” pelo óleo do motor

Funcionamento

Sistema complexo, cheio de peças, mas simples de entender. São cinco as partes mais importantes de uma embreagem: a carcaça externa (campana), platô, discos, disco separador e cubo central. Além de abrigar os discos de fricção, responsáveis por transferir o movimento do motor para os discos separadores – que por sua vez estão presos ao cubo central e ao platô –, a campana, ou carcaça externa, recebe o movimento do virabrequim e tem a função de fixar os discos. Já o cubo central transfere o movimento para o eixo da caixa de transmissão e, assim, para a roda traseira.

A embreagem controla a transmissão da potência do motor pela força de fricção. Quando a embreagem fica completamente desacoplada, ou seja, quando o manete está acionado, a potência não será transmitida à roda traseira. Quando o veículo é posto em movimento, a embreagem aumenta gradualmente a força de fricção entre os discos e transmite a força de forma suave para a roda traseira. Com a embreagem completamente acoplada, quando o piloto solta o manete esquerdo, a potência da árvore de manivelas é transmitida diretamente à roda traseira. 

Portanto, quando o condutor aciona a embreagem, por cabo de aço ou por sistema hidráulico, ele ativa um mecanismo de liberação que comprime as molas helicoidais e empurra o platô, aliviando a pressão das molas sobre os discos, o que permite que eles deslizem entre si. Quando o manete é liberado, a pressão das molas é reaplicada no platô e os discos são “colados” novamente. 

Resumindo de maneira básica e rápida, a embreagem consiste em um conjunto de discos e placas sob uma carga de molas que, quando pressionados juntos, conectam o virabrequim ao câmbio. Fácil, não? 

Diagnósticos de problemas

Quem é motociclista há muito tempo sabe que para não ficar na mão é necessário fazer a manutenção preventiva de seu veículo. Essa manutenção periódica aumenta a segurança e ainda pode economizar um bom dinheiro, já que uma motocicleta bem cuidada dura mais e dá menos “dor de cabeça”. Um dos itens principais da moto, que a faz funcionar, e que muita gente esquece por ficar escondido é a embreagem.

Problemas na embreagem são mais comuns que pensamos e os sintomas de falha do conjunto – ou de alguns itens do sistema – são facilmente percebidos pelo piloto. Os mais fáceis de serem “sentidos” são barulho excessivo, trepidação, acionamento do manete pesado, dificuldade no engate e desengate das marchas, tranco ao engatar e, principalmente, giro em falso do motor (as rotações sobem, mas a moto não entra em movimento). 

Segundo Rogério Otani, mecânico profissional, os barulhos na embreagem geralmente são ocasionados por folgas na carcaça externa (campana), ou no encaixe dos discos. “A carcaça externa possui algumas molas helicoidais que servem para absorver trancos dos engates das marchas e do motor. Depois de muito uso, quando se chega ao limite da peça, as molas deixam certa folga, que ocasiona os ruídos”, afirma Rogério, também conhecido como “China”. 

O desgaste dos encaixes do disco na campana pode causar dificuldade na hora do engate e trancos nas trocas de marcha. Este sintoma pode indicar falha no ajuste do cabo da embreagem, que pode estar danificado ou sujo. Isso também pode deixar o manete de embreagem duro por falta de lubrificação ou desgaste do cabo. 

No entanto, o defeito mais comum, segundo “China”, é quando a embreagem começa a patinar. “Ao patinar, o sistema de embreagem não transfere mais o movimento do motor por conta do desgaste dos discos e molas. Muita gente troca somente o disco e esquece das molas, que tem papel fundamental ao exercer a força que une os discos da embreagem. Se só os discos forem substituídos, o problema pode retornar mais rápido”, explicou 

Manutenção e dicas úteis

Motociclistas costumam ter vícios de pilotagem, muitas vezes vindos dos automóveis. Segundo “China”, essas ações quase involuntárias podem diminuir a vida útil de seu sistema de embreagem. Portanto, uma manutenção periódica e algumas dicas podem salvar sua embreagem. 

A viscosidade e o nível do óleo do motor têm influência direta no funcionamento da embreagem, já que o sistema é “banhado” em óleo. Então, a troca de óleo feita sempre na hora certa aumenta a durabilidade da embreagem, pois a falta de lubrificação dos discos pode causar desgaste prematuro. “O cabo da embreagem também deve sempre estar regulado. Ele deve ter uma folga que varia de 1 a 2 cm, mas depende da marca e modelo da moto. Por isso, leia sempre o manual de instruções de seu veículo”, comenta “China”. 

No entanto, o melhor remédio é prevenir. Uma das piores coisas que o piloto pode fazer é “queimar a embreagem”. Em subidas íngremes, isso é muito comum de acontecer, principalmente com pilotos iniciantes. Aquele cheiro característico causado pela fricção excessiva do sistema alerta o condutor, mas essa prática pode acabar com um sistema de embreagem em minutos. 

Rogério dá dicas para quando for parar nos semáforos. “É sempre bom evitar parar a motocicleta engatada no farol. Sempre que possível, o melhor a se fazer é engatar o ponto morto e, nas saídas, arrancar de maneira suave”. 

Outro “vício” que pode prejudicar a embreagem é trocar de marcha sem tirar a mão do acelerador. “Trocar de marchas sem parar de acelerar sobrecarrega o funcionamento da embreagem, que é forçada a trabalhar em giros muito mais altos que o normal. Se essa for uma ação rotineira, isso reduz bastante a vida útil de uma embreagem”, finalizou o mecânico. 

Rogério Otani, o “China”, lembra ainda que o desgaste e a durabilidade de um sistema de embreagem dependem muito do estilo de pilotagem do condutor. Uns tem uma tocada mais agressiva e outros pilotam de maneira mais contida.

Dicas para aumenta a durabilidade de sua embreagem

1)    Mantenha sempre o nível do óleo adequado e faça as trocas nos intervalos recomendados pelo fabricante
2)    Regule o cabo de sua embreagem com freqüência
3)    Evite trocar de marcha com o acelerador acionado
4)    Ao parar no semáforo, engate o neutro da motocicleta. Ao arrancar no farol, solte devagar a embreagem e acelere progressivamente
5)    Evite “queimar” a embreagem, ou seja, acelerar antes de soltar o manete

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