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“Besouro” apavora com seus 550 cavalos - Confira o Vídeo

24/08/2007 - 23:39 - Mário Salgado -redação ShopcarNews
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Quando Ferdinand Porsche atendeu um pedido de Adolf Hitler para fazer um carro resistente e que não precisasse de água para refrigerar o motor, ele não imaginava o que os apaixonados por carro poderiam fazer com a sua”obra-prima”. Em 15 de agosto de 1940 o primeiro KdF Wagen deixou oficialmente a linha de produção. Era azul escuro/acizentado, assim como seriam todos os KdF vendidos. E esse “carrinho” fez sucesso em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil. Mas algumas pessoas não ficam satisfeitas com a potência oficial desses Besouros (tradução do nome em inglês do Fusca – Beetle): com motor 1.200 (36cv), 1.300 (46cv), 1.500 (52 cv) e 1.600S (65cv). Uma dessas pessoas é Luis Rafael, empresário e piloto de arrancadas de Mato Grosso do Sul. Ele tem um Fusquinha que pode despejar até 550 cavalos de força nas rodas.

Confira também uma galeria de fotos especial dessa máquina

Com mais de R$ 40 mil investidos, o Fusca de Rafael é uma obra-prima sobre rodas. Com uma mecânica de dar inveja a muito carro tunado em São Paulo, a máquina foi feita em Mato Grosso do Sul, pela AP preparações, do conhecido afinador de carros turbinados Carlinhos “Peruquinha”. O motor é um AP 2.1 litros, com 8 bicos na injeção eletrônica, completamente forjado e com cabeçote de fluxo cruzado, utilizado no Golf. Para apimentar a máquina, é utilizada uma turbina 0.70 da Master Power, câmbio escalonado by Sapinho Câmbios, embreagem de cerâmica, freios à disco, rodas de 17 polegadas e pontas de eixo forjadas. E o coração do Fusca é gerenciado pela central eletrônica Full Tech, que controla que tipo de combustível (álcool ou metanol) vai alimentar os possíveis 550 cavalos de força.

Para mostrar toda a força do carro, a nossa equipe foi até o Autódromo Internacional de Campo Grande. Na pista o Fusca mostra que pode muito mais do que os 400 HP que usa nas ruas. Rafael nos explicou que o motor está tão forte que não pode arrancar despejando toda a força do motor. “Para arrancar tenho que usar duas etapas. Primeiro saio com o carro de leve para aí sim despejar a potência do motor”, explicou Rafael. No vídeo é possível perceber o que ele quer dizer. Quem vê de fora pode achar que o carro engasgou, mas na verdade o piloto evita que o câmbio quebre. Confira a reportagem em vídeo e veja do que é capaz o “carrinho”.

História do Fusca

O Fusca, ou Carocha em Portugal, ou Sedan no México foi o primeiro modelo fabricado pela companhia alemã Volkswagen. Foi o carro mais vendido no mundo, ultrapassando em 1972 o recorde do Ford Modelo T. O último modelo do Fusca foi produzido no México em 2003.

Em 26 de maio de 1938 foi colocada a pedra basilar da fábrica, com a presença do próprio Hitler. Mais de setenta mil pessoas participaram da solenidade. O evento teve pesada cobertura da mídia alemã, gerando alguma repercussão internacional, idéia do próprio Hitler, que pretendia exportar o carro para vários países. Em 15 de agosto de 1940 o primeiro KdF Wagen deixou oficialmente a linha de produção, agora com nome interno "VW Typ 1". Era azul escuro/acizentado, assim como seriam todos os KdF vendidos. Entretanto, até 1944 apenas 640 deles seriam produzidos, e nenhum chegaria às mãos dos que aderiram ao plano dos 5 marcos. Todos seriam distribuídos entre a elite do partido nazista.
No Brasil
O primeiro Volkswagen brasileiro foi lançado em 1959, obedecendo, com poucas modificações, ao do projeto de Ferdinand Porsche, lançado na Alemanha vinte anos antes. A origem do nome Fusca está relacionada com a pronúncia alemã da palavra Volkswagen. O nome da letra V em alemão é "fau" e o W é "vê". Ao abreviar a palavra Volkswagen para VW, os alemães falavam "fauvê". Logo que o Fusca foi lançado na Alemanha, ficou comum a frase "Isto é um VW" ("Das ist ein VW"). A abreviação alemã "fauvê" logo se transforma em "fulque" e "fulca". "Desde que começaram a circular os primeiros Volkswagens, em 1950. Também apareceu a corruptela da palavra Volkswagen passando pela influência da colônia alemã,-- explica Alexander Gromow para o Jornal do Brasil de 7 de agosto de 1993 - "Em Curitiba se fala "fuqui" ou "fuque" e em Porto Alegre é "fuca", acrescenta Gromow. "Mas em São Paulo, talvez por uma questão de fonética, acrescentaram o "S" na palavra e o Volkswagen virou Fusca."

A partir de 1950, o Fusca começou a ser vendido no Brasil. Chegando pelo porto de Santos, as 30 primeiras unidades foram logo vendidas (a família Matarazo foi uma das primeiras a comprar). O carro vinha desmontado da Alemanha (ou em kits "CKD", "Completely Knocked Down"), e curiosamente não era montado pela Volkswagen - a empresa ainda não havia se instalado no Brasil, e a empresa responsável pela montagem era a Brasmotor (mesmo grupo dono da Brastemp, por exemplo). O modelo importado era o conhecido "Split Window", com vidro traseiro dividido em dois, modelo Export (havia o Standard, mais simples, nunca trazido para o Brasil).

Em 1953 o Fusca deixou de ser montado pela Brasmotor e a Volkswagem assumiu a montagem do carro no Brasil, com peças vindas da Alemanha até 1959. O modelo produzido já era o que tinha janela traseira oval.

Em 1959 o Fusca passou a ser oficialmente produzido no país, embora parte das suas peças ainda fosse importada. A janela traseira passou a ser retangular neste modelo.
Em 1960 a fábrica alterou o volante. As maçanetas externas ganharam botão de acionamento e o estribo ganhou revestimento na cor do carro.

Em 1961 o carro passou a ter caixa de marchas sincronizada (para resolver o problema das "arranhadas"), além de ganhar nova lanterna traseira (o modelo oval, que durou até os anos 70), e o painel ganhou uma alça de segurança para o passageiro. Em 1962 o Fusca passou a ter chassi nacional, faróis com luzes assimétricas, gancho cabide e reservatórido de fluido de freio de plástico.

Em 1963 o carro ganhou novo descanço de braço, lavador de párabrisas pneumático e janelas traseiras basculantes. O Fusca ganhou também amortecedor de direção. Em 1964 o Fusca passou a vir com novo tanque de combustível. 1965 foi o ano do lançamento do Fusca com teto-solar, que ficou conhecido como "Cornowagen" - logo o acessório foi rejeitado, e muitos proprietários incomodados com o apelido, dado ao carro por um executivo da Ford, mandaram fechar o teto. Houve também mudanças nas lanternas e na luz de placa. Em 1966 houve mudanças na caixa de marcha e no distribuidor.

Em 1967, a Volkswagen adotou um motor de 1.300 de 46cv no lugar do antigo 1.200, de 36cv. Nas propagandas, apareciam os carros com uma cauda de tigre saindo da traseira em alusão a maior potência. O vidro traseiro ficou maior e o acionamento da seta foi para a coluna de direção. Foi também o fim do sistema elétrico de 6 volts para a chegada do de 12v.

Vale notar que foi durante esta época que o Fusca sedimentou a Volkswagen no mercado nacional, permitindo o lançamento de vários derivados no mercado nacional, tais como o Vw 1600, o TL, a Variant, o Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant II, o Brasília e o Gol. Em 1969, novos bancos e espelhos retrovisores.

Em 1970 chegou o novo motor 1.500 de 52cv. Ocorreram mudanças na tampa do motor, tampa do porta-malas e pára-choques. A partir de 1973 o carro passou a contar com uma entrada de ar no caput dianteiro, que chegava ao interior do carro através do painel e saía por aberturas atrás dos vidros laterais traseiros, as populares "orelinhas". Muitos pensam que sua função é ventilar o interior do carro quando, na verdade, é o inverso. As janelas laterais traseiras passam a ser fixas. Também são apresentados novos faróis e distribuidor à vácuo. O Fusca 1500 durou de 1970 até 1975.

Em 1975 foi introduzido o "Bizorrão" ou "Super-Fuscão", o Fusca 1600-S com carburação dupla, que desenvolvia 65 cv SAE, tinha volante de direção esportiva de três raios, rodas aro 14 e painel com marcador de temperatura, relógio e amperímetro. Em 1976 é lançada a versão 1.300-L.

Em 1977, o Fusca apareceu com mudanças estruturais, comando do limpador de pára-brisas na chave de seta e barra de direção retrátil, que protege o motorista em caso de choque frontal. Em 1978 ocorreu uma mudança no bocal do tanque, que passou para a lateral direita do carro. O interruptor do pisca-alerta foi transferido para a coluna de direção e foi adotada uma chave única para portas, capô do motor e ignição.

Em 1979, houve uma alteração no modelo e as lanternas traseiras passam a ser maiores, e passam a ser chamadas "Fafá", em alusão aos grandes seios da cantora Fafá de Belém. Em 1981 foi lançado o Fusca 1.300 com motor a álcool. O Fusca passou a ter novo painel, com instrumentos quadrados.

Em 1983, a empresa resolveu rebatizar o modelo no Brasil, adotando o nome que se tornara popular, Fusca. Até então o automóvel era oficialmente denominado VW Sedan nos registros dos Detrans.

Em 1984 o motor 1.300 deixou de ser produzido. Agora passa a equipá-lo o novo motor 1.600, mais moderno e o carro passa a contar também com freios a disco na dianteira, mais eficientes.

Em 1986 a Volkswagen desistiu de fabricá-lo, alegando que era um modelo muito obsoleto, apesar do carrinho ser o 2° carro mais vendido daquela época, atrás apenas do Chevrolet Monza e de ter fôlego o suficiente para permanecer mais uns bons anos no mercado. O real fato é que a Volkswagen queria abrir espaço para a Família BX, composta por Gol, Parati, Voyage e Saveiro.

Em 1993, por sugestão do então presidente Itamar Franco a empresa voltou a fabricar o modelo. Itamar queria a fabricação de carros populares, e sugeriu que o Brasil precisava de um carro como o Fusca. Foi aprovada, então a Lei do carro popular, que previa isenções e diminuições de impostos para os carros com motor 1.0, e o Fusca e o Chevrolet Chevette L, embora tivessem motores de 1.6l, foram incluídos.

O carro vendeu bem, mas longe da meta esperada pela Volkswagen. A principal razão para que o Fusca não vendesse tão bem se deve ao fato de seu acabamento espartano demais diante dos concorrentes surgidos em meados da década de 90, como o Fiat Uno Mille e Chevrolet Corsa de primeira geração, que tinham preços muito próximos do velho Besouro, porém, com acabamento e equipamentos bem melhores que os do Fusca.

Em 1996, a empresa deixou de produzir novamente o carro, com uma série especial denominada Série Ouro. A partir daí, ele só seria produzido no México. No período entre 1993 a 1996 foram produzidos no Brasil apenas 40.000 Fuscas, aproximadamente.
Até hoje (2006) o Fusca permanece com um dos carros usados mais vendidos no mercado nacional.

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